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Nuvem do tamanho certo: como parar de pagar por estrutura de empresa gigante com operação pequena

Antes: quando a nuvem vira um aluguel de mansão para quem mora sozinho

Você abre a fatura e ela está alta. Aí vem a tentativa de explicar.

“Deve ser porque a nuvem é assim mesmo.”

“Melhor sobrar do que faltar.”

“Foi montado pensando no crescimento.”

“Se mexer, pode cair.”

E a operação segue. Só que agora existe uma despesa fixa que parece fora de proporção com a empresa. E esse tipo de custo tem um efeito silencioso: ele compete com contratação, marketing, melhoria de produto, treinamento do time e até com margem.

Em PMEs, isso costuma acontecer por um motivo simples: a estrutura foi desenhada para o pico e para o medo, não para o momento real do negócio.

Os sinais de que você está pagando por “capacidade ociosa”

Nem sempre dá para enxergar olhando só o valor final da fatura. Os sinais aparecem em conversas e rotinas:

O time ouve que “não dá para fazer mais nada esse mês porque a nuvem estourou o orçamento”.

Todo mundo tem receio de desligar qualquer coisa, porque ninguém sabe exatamente o que faz o quê.

Ambiente de teste e ambiente de produção parecem ter o mesmo “tamanho”, mesmo quando quase ninguém usa o teste.

A empresa tem poucos sistemas críticos, mas a estrutura foi montada como se fosse uma plataforma grande, com várias camadas e recursos que “um dia vão ser necessários”.

Crescer 10% no volume de operação aumenta a conta muito mais do que 10%. É um indício forte de desenho desproporcional.

Se você se identificou com dois ou mais pontos, a chance de estar superdimensionado é alta.

O custo de manter assim (em linguagem de caixa e gestão)

Aqui não é só “pagar caro”. É pagar caro e ganhar pouco em troca.

Primeiro, você perde previsibilidade. A fatura vira um susto recorrente, e o gestor passa a tomar decisão com freio puxado.

Segundo, você cria desperdício contínuo. Estrutura grande não é uma compra única; é uma assinatura. E assinatura ruim dói todo mês.

Terceiro, você amplia dependência. Quando só uma pessoa ou um fornecedor entende a estrutura, qualquer ajuste vira um projeto, e a empresa aceita o custo só para não mexer.

Quarto, você reforça um mito perigoso: “nuvem é cara”. Muita empresa não está pagando pela nuvem. Está pagando por excesso e por falta de revisão.

Por que isso acontece (sem apontar culpado)

Esse cenário nasce de uma combinação bem comum:

  1. A estrutura foi pensada para um cenário “ideal” de crescimento rápido, não para a operação atual. É como contratar um galpão do tamanho do plano de 5 anos para guardar estoque do mês.
  2. A decisão foi tomada com foco em performance máxima e segurança total, mas sem critério de custo. Segurança e estabilidade importam, mas dá para ter as duas sem exagero, quando a arquitetura acompanha o estágio do negócio.
  3. Faltou um “dono da conta” do lado do negócio. Quando ninguém é responsável por custo e benefício, o padrão vira “deixa como está”.
  4. Copiaram referência de empresa grande. Isso é mais comum do que parece. Alguém pega um modelo pronto que funcionaria para milhares de acessos e aplica em uma operação com poucos sistemas e volume moderado.

Depois: como fica quando a nuvem está no tamanho certo

Quando o dimensionamento é adequado, a nuvem deixa de ser um susto e vira uma alavanca.

A fatura passa a ter lógica. Você entende o que está pagando e por quê.

Crescimento deixa de ser ameaça ao orçamento. A estrutura escala em etapas, conforme a operação pede, em vez de “nascer grande”.

O time perde o medo de mexer, porque existe documentação mínima e um caminho de ajuste seguro.

Você ganha uma conversa mais madura: “quanto custa manter esta capacidade agora?” e “quanto custa aumentar quando precisar?”, em vez de “não encosta”.

Na prática, a empresa fica com uma estrutura que acompanha o ritmo do negócio, sem pagar antecipadamente por algo que ainda não existe.

O que fazer na prática: um roteiro seguro para “enxugar sem quebrar”

A melhor abordagem é tratar isso como um ajuste controlado, com medição e validação, não como corte no escuro.

1) Separar o que é essencial do que é “nice to have”

Quais sistemas, se pararem, param faturamento, atendimento ou operação? Esses entram na lista do essencial.

O que é secundário pode ter um desenho mais simples ou horários de funcionamento mais restritos. Em muitos casos, dá para deixar recursos ligados só quando são usados, principalmente em ambientes de teste e desenvolvimento.

2) Descobrir onde está o excesso, com evidência

Aqui vale fugir do achismo. O ponto é responder perguntas simples:

A maior parte da capacidade está sendo usada ou fica “sobrando” quase o tempo todo?

O armazenamento está crescendo porque o negócio cresce ou porque ninguém limpa, organiza e define política de retenção (quanto tempo manter arquivos e registros)?

Existem recursos duplicados porque cada área contratou uma ferramenta parecida?

Se for necessário usar algum termo técnico na conversa com o time, vale traduzir: “capacidade de processamento” é o quanto a estrutura aguenta de trabalho ao mesmo tempo; se ela aguenta muito mais do que você usa, você está pagando por sobra.

3) Ajustar em degraus, não em um salto

O jeito mais seguro é reduzir aos poucos, com marcos claros.

Você define um primeiro objetivo realista, como reduzir X% do custo sem mexer em disponibilidade, e faz ajustes pequenos, valida e segue.

Isso evita o erro clássico de cortar demais, causar instabilidade e transformar uma iniciativa de economia em um trauma interno.

4) Criar guardrails para o custo não voltar

Depois do “enxugamento”, o risco é o custo subir de novo por falta de disciplina. Algumas rotinas simples resolvem:

Orçamento por área ou por sistema, com alertas quando passar de um limite.

Etiquetas de custo (tags) para identificar o que pertence a qual sistema, cliente, projeto ou área. É literalmente rotular gastos para não virar “uma conta única impossível de entender”. Exemplo: marcar tudo que é do sistema de vendas como “Vendas” e tudo que é do financeiro como “Financeiro”.

Revisão mensal curta: 30 minutos para olhar principais itens, identificar aumento fora do padrão e decidir o que fazer.

O que evitar quando a meta é reduzir custo

Cortar sem plano de retorno. Se algo der errado, você precisa conseguir voltar rápido.

Economia que vira risco operacional. Reduzir custo faz sentido, mas não pode comprometer backup, controle de acesso e continuidade do negócio.

“Só desligar coisa” sem entender dependências. Algumas partes parecem inúteis até o dia em que você precisa delas, ou até o dia em que descobre que sustentavam um processo.

Deixar a conversa só com TI ou só com financeiro. TI olha estabilidade; financeiro olha custo. A decisão boa nasce quando os dois lados estão na mesma mesa com critérios combinados.

Um próximo passo simples (para não ficar no discurso)

Se você suspeita que sua nuvem está “grande demais para o momento da operação”, comece com um diagnóstico rápido de duas perguntas:

  1. Quais 3 itens mais caros da conta hoje e a que sistema/área eles pertencem?
  2. O que aconteceria na operação se você reduzisse 20% dessa capacidade de forma controlada?

Só esse exercício já revela onde existe desperdício e onde existe risco real.

Se fizer sentido ter alguém para acelerar e dar segurança nesse processo, a CodeOn pode apoiar com um diagnóstico de custos e dimensionamento, identificando onde há excesso, propondo um plano de ajuste em degraus e deixando uma rotina mínima para o custo não voltar a crescer “no automático”. É o tipo de trabalho que costuma se pagar rápido quando o problema é superdimensionamento.