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Como escolher um único problema de negócio para guiar o projeto e evitar escopo infinito

A armadilha da "lista de desejos" que engole orçamentos

Imagine que você decidiu reformar a cozinha da sua empresa. O objetivo inicial era trocar o piso, que está desgastado e perigoso. No meio da obra, alguém sugere trocar a iluminação. Outro lembra que as tomadas estão mal posicionadas. Um terceiro sugere que, já que o pedreiro está lá, seria bom derrubar uma parede para integrar o ambiente.

O resultado? A obra que levaria dez dias dura dois meses, o custo triplica e, no final, você tem uma cozinha linda, mas o piso, o problema que causava acidentes, continua com o acabamento malfeito porque o dinheiro acabou antes da hora.

No desenvolvimento de software e na digitalização de processos, o cenário é idêntico. A vontade de "aproveitar a oportunidade" para resolver todos os gargalos da empresa de uma só vez é o que chamamos de escopo infinito. É o caminho mais rápido para projetos que nunca terminam e que geram uma sensação de frustração generalizada.

O custo invisível de não escolher uma prioridade

Quando um projeto não tem um norte claro, o maior prejuízo não é apenas o financeiro. Existem custos ocultos que drenam a energia da gestão:

  • Paralisia por análise: A equipe gasta horas discutindo detalhes de funcionalidades que talvez nem sejam usadas.
  • Perda de timing: Enquanto você tenta construir o sistema perfeito, o mercado muda ou o problema original continua dando prejuízo.
  • Desmotivação: Nada cansa mais um time do que trabalhar meses em algo que não chega às mãos do usuário final.

Se você está sentindo que as reuniões de projeto servem apenas para adicionar novos itens a uma lista que já é enorme, você está no caminho do escopo infinito.

Como filtrar o que realmente importa

Para retomar o controle, você precisa de um critério de corte. Use estas três perguntas para identificar o problema que deve guiar seu projeto agora:

1. Qual dor tira o sono do financeiro ou da operação hoje?

Não foque no que seria "legal ter". Foque no que está custando caro. É um processo manual que toma quatro horas por dia de um analista sênior? É a perda de dados em planilhas que impede uma venda? Comece por onde o retorno é mensurável.

2. O que podemos resolver sem depender de outras dez mudanças?

Escolha um problema que tenha começo, meio e fim. Se para resolver o problema A você precisa primeiro reformular todo o banco de dados da empresa e trocar o fornecedor de nuvem, esse não é o seu ponto de partida ideal. Busque vitórias rápidas.

3. Se resolvermos apenas isso, o projeto já se pagou?

Este é o teste definitivo. Se a resposta for sim, você encontrou seu foco. O restante vira "fase dois".

O que evitar para não perder o foco

O maior erro de um gestor é ceder ao "já que". “Já que estamos mexendo no cadastro de clientes, por que não incluímos um módulo de inteligência preditiva de consumo?”.

Cuidado. O "já que" é o pai dos projetos atrasados. Outro ponto de atenção é tentar agradar todos os departamentos simultaneamente. Um software que tenta ser um canivete suíço para o Marketing, RH e Financeiro ao mesmo tempo costuma ser complexo demais para todos e eficiente para ninguém.

O próximo passo ideal

Projetos saudáveis crescem em camadas. Você resolve o problema central, colhe o resultado, entende o comportamento do usuário e só então decide o próximo passo. Isso traz previsibilidade para o caixa e segurança para quem decide.

Se você tem uma lista enorme de demandas e não sabe por onde começar a cortar para tirar o projeto do papel, talvez falte um olhar externo para ajudar na priorização.

Na CodeOn, temos o hábito de sentar com gestores para justamente separar o que é "barulho" do que é "valor de negócio". Se você quer validar se o foco do seu projeto atual está no lugar certo, podemos bater um papo rápido para avaliar seu cenário e desenhar um caminho mais enxuto e eficiente.