Checklist para iniciar um projeto digital em 90 dias com o parceiro certo
O problema real: projeto digital que "começa" e não sai do lugar
Muita empresa acha que o projeto começou quando assinou contrato, aprovou orçamento ou marcou a reunião de kickoff. Na prática, começa quando aparece a primeira entrega utilizável e alguém do negócio consegue testar e dizer "é isso".
Os 90 dias iniciais são onde a maior parte dos projetos ganha tração ou entra no modo arrasto. O parceiro faz diferença porque ele não entrega só código. Ele entrega ritmo, clareza e capacidade de reduzir ruído.
Se o início dá errado, o custo aparece rápido:
- Meses de reunião sem entrega utilizável
- Orçamento queimado com retrabalho e mudanças mal combinadas
- Operação criando atalhos e voltando para planilhas
- Perda de janela de mercado, atraso de receita e desgaste interno
A boa notícia é que dá para reduzir muito esse risco com um checklist que mistura três coisas: preparação do seu lado, critérios para escolher o parceiro e uma rotina mínima para os 90 dias.
Checklist 1: antes de falar com qualquer parceiro, alinhe o básico dentro de casa
Você não precisa de um documento perfeito. Precisa de direção suficiente para receber propostas comparáveis e começar sem briga de expectativa.
Use este checklist interno:
- Objetivo do projeto em linguagem de negócio Exemplo: reduzir tempo de aprovação de pedido de 2 dias para 2 horas, ou reduzir retrabalho no cadastro em 40%.
- Escopo mínimo do que precisa existir para a primeira versão ser utilizável Liste de 5 a 12 itens. Menos é mais aqui.
- Quem decide prioridade Nome e função. Se isso fica difuso, o projeto vira disputa de versões.
- Quem valida no dia a dia Uma ou duas pessoas da operação que vão testar e dar retorno rápido.
- Restrições e datas que importam Fechamento do mês, sazonalidade, eventos comerciais, obrigações legais.
- O que seria "fracasso" para você Exemplo: entrar no ar e ninguém usar, ou depender de planilha do mesmo jeito.
Se você marcar metade disso, já dá para começar a buscar parceiro com mais segurança.
Checklist 2: critérios para escolher o parceiro certo (sem olhar só preço)
Proposta bonita não garante entrega. Foque em sinais de maturidade de execução.
- Clareza na proposta O parceiro consegue escrever o que vai entregar em linguagem de negócio, com exemplos de fluxo? Se a proposta é só termo técnico, vai ser difícil governar.
- Plano de entregas em etapas Você vê um caminho para ter algo utilizável cedo, ou tudo fica para o final? Projeto que só "aparece" no fim costuma estourar.
- Como lidam com mudança de escopo Mudança vai acontecer. O que importa é existir um jeito claro de avaliar impacto e priorizar sem virar conflito.
- Quem é seu ponto focal Tem alguém responsável pelo andamento e pela comunicação, ou você vai falar com "o time" e ninguém assume?
- Rotina de validação com o negócio O parceiro propõe demonstrações frequentes e ajustes rápidos com base em uso real? Ou só pede aprovação em documento?
- Experiência com projetos no mesmo tipo de contexto Não precisa ser no mesmo setor, mas precisa ter noção de operação real, restrições e urgências de empresa.
- Pós lançamento Tem plano para correções e estabilização nas primeiras semanas? Se o parceiro trata isso como "extra opcional", acende alerta.
Checklist 3: sinais de alerta que costumam custar caro nos primeiros 90 dias
Alguns sinais aparecem cedo, e ignorar costuma sair caro.
- Promessa de prazo agressivo sem explicar como Se não tem caminho de entrega em etapas, é aposta.
- "A gente começa e vai descobrindo" Descoberta é parte do processo, mas precisa de trilho: objetivo claro, validação frequente e decisão rápida.
- Falta de perguntas sobre seu negócio Parceiro que não pergunta sobre operação, exceções e restrições normalmente vai entregar algo que funciona "no papel".
- Proposta que não diz o que está fora Quando ninguém explicita exclusões, a surpresa aparece na fatura ou no atraso.
- Dependência excessiva de uma pessoa Se a entrega depende de um "herói", o risco de travar por ausência ou troca é alto.
Checklist 4: o que precisa acontecer nos 90 dias para você dizer "está no rumo"
A seguir, um checklist de marcos, pensando em 90 dias corridos. Ajuste ao seu contexto, mas mantenha o espírito: evidência de avanço, não só atividade.
Até o dia 15: direção, recorte e base de decisão
- Objetivo de negócio confirmado e escrito em uma frase
- Lista do escopo mínimo da primeira versão aprovada
- Critérios simples de prioridade definidos
- Acordo sobre comunicação e frequência de acompanhamento
- Acesso a informações e pessoas chave liberado para o parceiro (o mínimo necessário)
Se nesse período a conversa vira só "qual ferramenta" e "como vai ser a arquitetura", e ninguém fecha o que será entregue primeiro, o risco de dispersão aumenta.
Até o dia 30: primeira entrega demonstrável e fila organizada
- Primeira demonstração de algo funcionando, mesmo que simples
- Fluxo principal mapeado em linguagem de operação
- Lista priorizada do que entra na primeira versão e do que fica para depois
- Riscos e dependências mapeados com donos e datas
- Definição do que significa "pronto para colocar no ar" para a primeira versão
Aqui você quer sair do modo promessa e entrar no modo evidência.
Até o dia 60: versão utilizável por um grupo pequeno
- Módulo ou fluxo principal utilizável por um grupo piloto
- Ajustes sendo feitos com base no uso real, não em suposições
- Indicador simples de valor sendo acompanhado Exemplos: tempo do processo, redução de retrabalho, volume processado por pessoa.
- Plano de entrada em produção alinhado com operação
- Plano de suporte nas primeiras semanas definido
Se até aqui ainda não existe nada que alguém consiga usar, mesmo que em piloto, vale reavaliar o método de trabalho.
Até o dia 90: entrada em produção com controle e próximos passos claros
- Primeira versão em produção ou em uso real controlado (dependendo do seu risco)
- Rotina de correções e ajustes rápidos ativa
- Lista de melhorias priorizada para o próximo ciclo
- Métricas de adoção e estabilidade combinadas Exemplos: usuários ativos, volume processado no novo fluxo, incidentes que atrapalham operação.
- Plano de sustentação e evolução acordado Sem isso, o sistema entra no ar e começa a "envelhecer" no dia seguinte.
Checklist 5: erros comuns ao tentar acelerar e acabar atrasando
Alguns erros são bem tentadores quando a pressão por resultado aumenta.
- Querer começar construindo sem fechar o recorte da primeira versão Isso vira retrabalho porque você descobre tarde demais o que era prioridade.
- Tentar agradar todas as áreas no início Projeto digital precisa de foco. Expandir cedo demais é uma forma eficiente de travar.
- Medir sucesso só por prazo e orçamento Você pode estar "em dia" e ainda assim entregar algo que ninguém usa.
- Não reservar tempo do negócio para validação Se a operação não valida, o parceiro vai supor. E suposição é custo.
- Tratar pós lançamento como detalhe É justamente no pós lançamento que a confiança do usuário se forma.
Próximo passo simples
Se você quer iniciar um projeto digital em 90 dias com menos risco, faça duas coisas ainda esta semana:
- Preencha uma página com objetivo, escopo mínimo e quem decide prioridade
- Pegue este checklist e use como pauta de conversa com dois ou três parceiros
Se você quiser um apoio rápido e objetivo, a CodeOn costuma fazer um diagnóstico curto antes do kickoff para organizar recorte, marcos dos 90 dias e critérios de proposta. Não é para burocratizar. É para começar com clareza e reduzir surpresa de escopo, prazo e custo logo no início.