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Métricas que importam em um projeto de software: além de prazo e orçamento

Por que prazo e orçamento não contam a história toda

Você já deve ter ouvido ou dito algo assim:
“Estamos um pouco atrasados, mas dentro do orçamento.”
“Entregamos no prazo, dentro do custo combinado.”

E aí, quando o sistema entra no ar, a operação reclama, a adoção é baixa e surgem planilhas paralelas de novo. Ou seja, o projeto foi “um sucesso” nos relatórios, mas um problema no dia a dia.

Prazo e orçamento são métricas básicas. Mostram se o projeto está sob controle do ponto de vista financeiro e de cronograma. Não mostram se ele está resolvendo o problema certo, nem se o resultado se sustenta depois.

Gestor que quer usar tecnologia como alavanca de negócio precisa de mais algumas lentes simples para olhar o projeto.

A seguir, as principais perguntas que costumam aparecer em conversa com diretores e donos de negócio. E que métricas fazem diferença de verdade em cada uma delas.

“Como eu sei se o projeto está gerando valor, não só entregando tarefa”

Aqui entram métricas ligadas ao impacto no negócio, não à quantidade de coisas feitas.

Alguns exemplos práticos que funcionam bem:

  • Tempo de execução de um processo
    Quanto tempo levava antes e quanto tempo leva depois para fazer a mesma atividade
    Exemplo: cadastro de cliente, aprovação de pedido, fechamento de contrato
  • Volume de retrabalho
    Quantas vezes o mesmo pedido ou atividade volta por erro, falta de dado ou falha de sistema
  • Erros que impactam cliente ou faturamento
    Quantos erros viram ligação, reclamação ou afetam recebimento de receita

Essas métricas são simples, mas exigem uma decisão: escolher de duas a quatro e combinar com o time desde o começo do projeto. Sem isso, o software vira medição de esforço, não de resultado.

Dica prática

Se você só conseguir escolher uma métrica de valor, escolha tempo do processo principal. É objetiva, fácil de medir e todo mundo entende.

“Como eu enxergo se o time está avançando ou só se ocupando”

Horas trabalhadas e tarefas concluídas muitas vezes enganam. O time pode estar ocupado e o projeto parado em termos de resultado.

Métricas que ajudam aqui:

  • Entregas utilizáveis aprovadas
    Quantas partes do sistema já podem ser usadas por alguém real, mesmo que em grupo pequeno
  • Frequência de demonstrações para o negócio
    Quantas vezes por mês o time mostra algo funcionando para quem vai usar
  • Tempo entre ideia e primeira versão em uso
    Quanto tempo passa entre definir uma necessidade e ter uma primeira versão simples em produção ou piloto

Essas métricas mostram se o projeto está aprendendo rápido ou só empilhando especificações.

Se você percebe que passam meses sem ninguém do negócio ver nada funcionando, acende um alerta, mesmo que o relatório de horas esteja bonito.

“Como medir a qualidade sem entrar no detalhe técnico”

Nem todo gestor quer ou precisa entrar em defeito técnico. Mas precisa saber se o que está sendo colocado no ar está estável.

Métricas de qualidade em linguagem simples:

  • Incidentes em produção
    Quantas falhas atrapalham o uso normal do sistema em um período
  • Gravidade dos incidentes
    Quantos travam o negócio, quantos atrapalham um pouco, quantos são incômodos mas não críticos
  • Tempo para resolver um problema que afeta operação
    Quanto tempo leva entre ser avisado de um problema e ter uma solução que permita seguir a vida
  • Volume de pedidos de correção logo após o lançamento
    Se a lista de correções explode nas primeiras semanas, é sinal de que algo na validação antes do go live falhou

O importante aqui é separar ajuste natural de erro grave. Projeto de software sempre tem ajuste. Descontrole aparece quando problema crítico vira rotina.

“E a adoção? Como saber se o sistema vai ser usado de verdade”

A empresa pode ter investido bem, o time ter entregue dentro do combinado, e ainda assim o sistema ficar encostado. Isso acontece mais do que parece.

Métricas de adoção que qualquer gestor consegue acompanhar:

  • Percentual de uso em relação ao processo
    De todos os pedidos ou atendimentos, quantos passam pelo sistema e quantos ainda rodam fora dele
  • Usuários ativos
    Quantas pessoas acessam o sistema em período relevante para aquele processo
  • Aderência ao fluxo padrão
    Quantas vezes o time precisa “driblar” o sistema com atalhos, e mail, mensagem ou planilhas para conseguir trabalhar
  • Satisfação básica do usuário interno
    Não precisa ser pesquisa complexa. Pergunta simples funciona:
    De zero a dez, o quanto este sistema ajuda seu trabalho

Essas métricas evitam o cenário de sistema que existe, mas o negócio continua rodando como antes.

“Como evitar que o projeto vire um buraco sem fundo de demanda”

Todo projeto de software puxa mais demanda. Depois que as pessoas veem algo funcionando, surgem novas ideias. Isso é bom, mas pode virar fila infinita sem critério.

Algumas métricas ajudam a manter essa fila saudável:

  • Entrada versus saída de demandas
    Quantas demandas entram por mês e quantas são concluídas
  • Tempo médio em fila antes de alguém começar a trabalhar
    Se tudo demora meses para sair da gaveta, o sistema passa a imagem de que não evolui
  • Percentual de demandas ligadas ao objetivo principal do projeto
    Quantas novas demandas são alinhadas ao objetivo original e quantas são só “seria legal se tivesse”

Esses números ajudam a ter conversa adulta sobre prioridade. E evitam que o projeto se perca tentando agradar todo mundo ao mesmo tempo.

“O que eu deveria olhar como patrocinador do projeto, sem afundar em detalhe”

Patrocinador é quem assina o projeto e responde por ele na empresa. Essa pessoa normalmente não tem tempo para painéis cheios de números.

Um conjunto enxuto funciona bem:

  • Uma métrica de valor de negócio
    Exemplo: tempo de processo, taxa de erro, tempo de atendimento
  • Uma métrica de estabilidade
    Exemplo: incidentes críticos que param operação
  • Uma métrica de avanço de entrega
    Exemplo: percentual de escopo relevante já utilizável
  • Uma métrica de adoção
    Exemplo: percentual de operações que já passam pelo novo sistema

Com esse pequeno grupo, em meia hora de reunião você sabe se o projeto está:

  • gerando valor ou não
  • estável ou não
  • avançando ou empacado
  • sendo usado ou ignorado

“Quais métricas atrapalham mais do que ajudam”

Alguns números parecem bonitos, mas pouco ajudam a tomar decisão melhor.

Alguns exemplos:

  • Contar tela, campo ou linha de código
    Não diz nada sobre valor para o negócio
  • Medir só produtividade do time de desenvolvimento
    Se o foco é só “velocidade do time”, a conversa tende a virar cobrança interna, não alinhamento com o negócio
  • Acompanhar quantidade de horas gastas sem contexto
    Horas sozinhas não dizem se o tempo foi bem usado ou não
  • Buscar uma métrica perfeita para tudo
    Não existe indicador mágico. Melhor ter meia dúzia simples e consistentes do que um indicador sofisticado que ninguém entende

“Como colocar esse tipo de métrica na rotina sem virar burocracia”

O medo de muitos gestores é transformar projeto em festival de relatório. Não precisa ser assim.

Alguns cuidados práticos:

  • Escolha poucas métricas
    De quatro a oito no máximo, agrupadas entre valor, qualidade, avanço e adoção
  • Defina frequência realista
    Alguns números fazem sentido toda semana, outros a cada quinze dias, outros por mês
  • Use o que já é medido hoje
    Muitas vezes, a área já mede tempo de processo, volume de erro, reclamação de cliente. O projeto pode usar essa base em vez de inventar tudo do zero
  • Traga as métricas para a conversa
    Métrica boa não é a que está em painel bonito. É a que orienta discussão e decisão na reunião de status

Mini plano de ação para ajustar suas métricas de projeto

Se você quiser começar algo ainda neste mês, um caminho simples é:

Semana 1

  • Reunir patrocinador, alguém do negócio e alguém do time de tecnologia
  • Definir de duas a quatro métricas de valor e adoção para o projeto atual

Semana 2

  • Mapear como medir essas métricas com o que já existe de dado
  • Ajustar só o que for essencial para começar a acompanhar

Semana 3

  • Incluir essas métricas na reunião de acompanhamento
  • Combinar decisões ligadas a elas, por exemplo, priorizar algo que reduz retrabalho em vez de mais uma funcionalidade “legal de ter”

Semana 4

  • Rever o conjunto de métricas
  • Tirar o que não ajudou em nada na conversa e reforçar o que de fato guiou decisão

Depois de um ciclo desses, dificilmente você volta a olhar só prazo e orçamento.

Onde a CodeOn costuma ajudar nesse tema

Na CodeOn, a conversa com gestores costuma começar justamente aqui:

O projeto está andando, mas o patrocinador sente que não enxerga bem se aquilo tudo vai virar resultado de negócio.

Em muitos casos, ajudamos a:

  • traduzir o objetivo de negócio em meia dúzia de métricas simples
  • montar um painel enxuto para as reuniões de acompanhamento
  • ajustar o jeito de priorizar para focar no que mexe nesses indicadores
  • organizar a sustentação e evolução do sistema já pensando nessas métricas

Se você sente que seus projetos estão “andando”, mas não consegue dizer com segurança o quanto eles estão entregando de valor, uma conversa rápida de diagnóstico já pode clarear bastante que métricas fazem sentido no seu contexto e como colocá-las na prática.